Dialogando


Farsa Universal

É sabido que a angústia e as dificuldades tornam os brasileiros pobres - como também os africanos e os latinoamericanos - acessíveis às seitas pentencostais, com seus ritos de cura e suas promessas de milagres, sempre voltadas para a busca da prosperidade. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) cresceu com uma mistura de cristianismo pentecostal, linguagem típica da macumba (ao gosto das classes mais pobres) e difusão pelos meios de comunicação social (televisão e rádio).

São comuns, em seus cultos, a menção aos encostos e espíritos que necessitam ser expurgados dos crentes, sempre em sessões carregadas de emoção, sugestionando os participantes envolvidos em meio a músicas e gritos de ordem. Assim, sugestionados, não raro há os que se dizem curados de AIDS, câncer, homossexualismo etc. Nem sempre, porém, o crente é tão crente assim e se deixa convencer de sua cura. O vídeo abaixo é esclarecedor e seria cômico, não fosse trágico:

 

Por outro lado, a IURD transformou-se em um máquina de fazer dinheiro, investindo seu capital em templos, compra de rádios e na estruturação da Rede Record de Televisão. Edir Macedo, líder da IURD, nos dá aulas de como convencer os seus fiéis a ajudarem financeiramente a IURD, mostrando como a fé cristã pode servir para enganar os mais humildes:

As lições, aprendidas pelos pastores, são postas em prática, gerando recursos que permitiram a IURD crescer e criar uma verdadeira franquia da exploração do desespero de muitos, que investiram na fé ingênua seu pouco dinheiro. As cenas são impressionantes:

E o Pastor Silas Malafaia defende os membros da Universal:



Escrito por Adriano Soares às 19h37
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Gestão Pública

No O Jornal de hoje, na seção Contexto:

Aberração

O secretário de Gestão Pública, Adriano Soares, confirmou que o problema do pagamento da folha do Estado é o sistema arcaico, que tem causado problemas administrativos, cujo soft tem 16 versões diferentes. Ele disse que tinha gente que ganhava R$ 8 mil e na folha aparecia R$ 16 mil.

Sem controle

Uma das revelações de Adriano Soares é que a antiga Secretaria de Administração não tinha nenhum controle, por isso a existência dos conhecidos “fantasmas” na folha de pagamento.


Falha

Para se ter uma idéia do caos na folha de pagamento, que, aos poucos, está sendo detectado, segundo Soares, existiam filhas de servidores que apareciam como esposas com a intenção de se tornarem vitalícias no Estado, ou seja, golpe nos cofres públicos.


Facilidade

As declarações do secretário de Gestão Pública complicam a situação dos secretários que assumiram anteriormente o cargo, já que, segundo ele, nenhuma providência havia sido tomada até então.


Censo

Os servidores públicos devem ficar preparados porque a Secretaria de Gestão Pública vai realizar, a partir de janeiro do próximo ano, um censo para saber quem é quem na administração pública. Se houver mais fantasmas na folha, com certeza, o sistema implantado mostrará a falha existente.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 19h33
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Convite ao diálogo

Para a surpresa de muitos, o Colégio dos Procuradores de Justiça do Ministério Público do Estado de Alagoas iniciou um perigoso processo de destituição do Procurador Geral de Justiça. Através de uma petição de três páginas (duas das quais quase inteiramente tomadas por assinaturas de seus nove subscritores), pretende-se afastar o Chefe do Ministério sob a alegação de que teria ele encaminhado a proposta orçamentária à Assembléia Legislativa sem o prévio conhecimento do colegiado, de que teria se negado a fornecer informações sobre a compra de equipamentos e imóveis e, finalmente, por ter indicado para o Conselho Estadual de Segurança Pública um membro do Ministério Público, em usurpação de funções daquele egrégio colegiado.

De antemão, como cidadão, faço de plano um juízo de valor: a prosperarem essas acusações, não mais haverá Procurador Geral como chefe da instituição, que passará a ser gerida pelo colegiado, em evidente afronta à Constituição Federal e Estadual, além da lei complementar que rege o Ministério Público. Ademais, admitidas as irregularidades apontadas - e aqui o faço apenas para argumentar - seriam elas meras irregularidades, sem qualquer gravidade que viesse a impor a cassação do mandato do Chefe do Ministério Público. A medida proposta é tão desproporcional à falta abstratamente alegada, que orça pelo absurdo e, por isso mesmo, mereceu forte reação da sociedade civil organizada.

Os membros do Colégio de Procuradores de Justiça são promotores públicos experimentados. Sabem que a medida proposta é gravíssima para a estabilidade da instituição. Some-se, ao conflito interno gerado, a reação popular promovida por sindicatos, associações e organismos importantes, como o Conselho Regional de Medicina. Será que todos estariam enganados quanto ao importante papel desempenhado nos últimos anos pelo MP, sob a condução de Coaracy Fonseca? Parece-nos que não. Por isso, como humilde cidadão, penso que é hora de se fazer um convite ao bom senso e ao equilíbrio de todos os envolvidos, para que juntos possam os membros do MP construírem uma cada vez mais sólida instituição, cujos serviços são tão importantes para toda a sociedade.


Para os que desejam ponderar sobre a gravidade dos fatos para o Ministério Público alagoano, com a participação dos movimentos sociais e cinzânias entre os membros daquela importante instituição, vejam o vídeo abaixo:

 

Para os leigos que desejem saber mais sobre o papel do Ministério Público no Brasil, segue um vídeo institucional que poderá ajudar a compreender a sua importância. Embora trate do MP Federal, tem idêntica aplicação ao MP Estadual.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 21h04
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Stendhal, a mulher honesta e o art.41-A

Embora esteja exercendo o cargo de secretário da gestão pública de Alagoas, não tenho me afastado de minhas meditações sobre o Direito Eleitoral. Hoje há um número maior de estudiosos da matéria, o que faz surgir estudos em profusão, notadamente voltados a concursos públicos. Por isso, a qualidade científica continua claudicando. Continuamos a ter, em sua maioria, escritos de ocasião, fundados em monocórdias repetições das decisões do TSE e sem compromisso com os pontos de partida doutrinários assumidos.

Claro, há ainda os que fazem carreira defendendo impolutamente o art.41-A da Lei nº 9.504/97, como se fosse ele a solução para a corrupção eleitoral, que teima em crescer contrariamente às profecias de alguns vocacionados a Torquemada. Os defensores do art.41-A portam-se, na prática eleitoral brasileira, como aquela mulher honesta (Clélia), descrita por Stendhal em sua Cartuxa de Parma, que prometeu à Nossa Senhora nunca mais ver o seu amante. Por esta razão, passou a fornicar com ele no mais absoluto escuro. Cumpriu logicamente a promessa, ao passo que a quebrou no seu mais elevado espírito. A norma jurídica vem sendo assim praticada: cassam-se os que buscaram conspurcar a vontade do eleitor oferecendo-lhe uma geladeira, porém admite-se que um candidato tenha recebido recursos de origem duvidosa, saindo da campanha com dívidas superiores às doações recebidas e assumidas candidamente pelo seu partido político, que por sua vez nunca consegue recursos "por dentro" para proceder a sua própria prestação de contas. Cassa-se pela estupenda quantia de R$ 22 reais, porém não se cassa quem fez gastos de campanha acima das receitas eleitorais e se escondeu no biombo partidário, deixando as contas indefinidamente inexplicadas...

É por isso que se faz necessária uma análise do Direito Eleitoral que vá além das decisões judicias do TSE, utilizando-as como objeto de reflexão, não porém como última palavra sagrada que não possa ser cotejada com a própria jurisprudência eleitoral, com a doutrina e, sobretudo, com o direito positivo brasileiro, notadamente de escalão constitucional. Assim, poderemos fazer uma análise que contribua com a experiência eleitoral democrática e não se emascule previamente do são desejo de ir além das demarcações moralistas, que falseiam a própria realidade vivida e as próprias normas positivadas.

Esse é o desafio: sair do deserto de idéias e mergulhar nas inúmeras possibilidades que a prática eleitoral faz desafiar os espíritos argutos.Vamos voltar, assim, a refletir sobre essas questões práticas e juridicamente importantes.



Categoria: Jurídico
Escrito por Adriano Soares às 21h55
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Nossos políticos

Os anos Lula trouxeram para o debate os limites da ética na política. O PT cresceu e chegou ao poder empunhando a bandeira da ética. Críticos severos dos agentes públicos no poder, os petistas buscaram apresentar ao Brasil uma nova forma de fazer política, pregando transparência e criticando os que, acusados de se locupletarem, permaneceram no exercício de suas funções. Acusações sistemáticas, ataques inconseqüentes, manifestações públicas insuflando a população contra políticos, etc. Assim chegou o PT ao poder e assim foi apanhado em escândalos, como o mensalão, os sanguessugas, o caseiro que derrubou o ministro da Fazenda e coisas do gênero.

Nossos políticos, de um modo geral, vivem sob a suspeição. A mídia, no seu papel de investigar e noticiar, exacerbou a exposição pública de autoridades, flagradas em situações delicadas. A República da Av. Paulista, nos anos FHC, foi substituída pela República do ABC paulista, nos anos Lula, demonstrando a hegemonia dos paulistas na política nacional, de um lado, e expondo os seus costumes políticos, de outro, que nada diferem - senão, talvez, no requinte - das práticas da chamada República de Alagoas. Há aqui uma única diferença: a mídia trata a república nordestina com o desdém devido aos "retirantes", a uma raça inferior e metida, que joga como gente grande o xadrez do poder.

Anos atrás, o Fantástico levou ao ar um quadro do jornalista Marcelo Tas. Simples, engraçado, mas muito elucidativo sobre os nossos políticos: o que há de real e ficção na criação de suas imagens. Sob o humor esconde-se uma grande verdade: somos todos iguais, em nossos costumes políticos, no que há de bom e de mau, no que há de espírito público e de espírito de porco. E todos crescemos com o amadurecimento da democracia, com o jogo duro das acusações e com história que se vai forjando ineludivelmente para novos tempos, em que os brasileiros vão se incluindo no acesso aos meios mínimos de subsistência e crescimento pessoal. Informação e educação, eis o caminho.

Segue, abaixo, o vídeo do Marcelo Tas, que vale a pena ser assistido:



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 15h41
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VÍDEOS PESSOAIS

Com as novas ferramentas postas à disposição pelo UOL, podemos publicar as nossas palestras, entrevistas e vídeos pessoais. Para essa finalidade, criamos o blog Contato Pessoal, que poderá ser acessado pelos nossos visitantes. Assim, além dos textos escritos, passamos a ter vídeos publicados, que poderão facilitar o nosso contato e expor de modo mais claro o meu pensamento.

http://contatopessoal.zip.net/



Categoria: Pessoal
Escrito por Adriano Soares às 14h53
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credibilidade jornalística

A seriedade dos apresentadores dos jornais televisivos é fundamental para passar credibilidade. Há um esforço enorme para se apresentarem sérios, neutros, imparciais. Nem sempre é assim, porém, em época de tv ao vivo. Vejam alguns exemplos hilários:



Escrito por Adriano Soares às 10h53
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Renan e a democracia

O julgamento de Renan Calheiros pelo Senado foi uma demonstração de força daquela instituição em relação à mídia, que exigia a sua cassação e direcionava a opinião pública contra o senador alagoano. Quem acompanhou os inúmeros sinais dados por jornalistas conceituados de ojeriza a Alagoas, vista como uma terra sem lei, pode perceber que naquelas manifestações havia muito de ressentimento contra os nordestinos, tão comum na elite paulista.

Renan mostrou-se politicamente sólido. Seu julgamento, repetidas vezes antecipado pela mídia, não revelou preocupação com as provas produzidas. O direito de defesa, nestes tempos midiáticos, vem sendo a sebendas relativizado, deixado para que o acusado o exerça apenas na intimidade silenciosa dos tribunais, quando a sua honra e imagem já foram destruídos por matérias jornalísticas unilaterais, que demonizam pessoas ao gosto de interesses de momento. O presidente do Senado acusou os golpes e, em decorrência, acusou o grupo Abril. Quem se interessou por investigar as suas denúncias? A mídia não se interessa em se autoinvestigar, por óbvio.

Não defendo aqui Renan. Cabe a ele fazê-lo perante a opinião pública e o Judiciário. Porém, perante o Senado a sua defesa foi feita e aceita pela maioria absoluta dos seus pares. Não cabe à minoria - isso é golpe e atitude antidemocrática! - exigir a sua saída da presidência do Senado. Se a maioria o julgou inocente ou, ao menos, desconsiderou a existência de provas consistentes contra ele, mantendo-o senador da República, como então dizê-lo sem condições para presidir a Casa? Tem condições para ser senador e não teria para ser presidente do Senado?

Lamento que alguns senadores, diante das câmaras de televisão, ataquem, eles próprios, a instituição da qual fazem parte. Desqualificam o jogo democrático que se propuseram a jogar e fazem coro àqueles que vilipendiam a própria necessidade do Poder Legislativo. Ávidos pelos holofotes, atacam a instituição que deveriam defender.

A democracia requer a aceitação da decisão da maioria, ainda que dela discordemos. É assim que ela faz possível a convivência pacífica dos grupos de pressão. A inaceitação da decisão tomada validamente pelo plenário do Senado Federal é a demonstração da ausência de parâmetros democráticos e a da subservivência de alguns aos ditames de parcela da mídia. E a mídia forma opinião, mas não dirige os destinos do país...


Sobre os políticos de Alagoas, não diferem da média nacional. Temos grandes nomes e figuras lamentáveis. Quem quiser ver como todos nos parecemos para o bem e para o mal, basta ver os candidatos bizarros que temos aqui como lá. O Jornal Hoje, da Rede Globo, expôs uma reportagem sobre os folclóricos políticos brasileiros, que revela uma afinidade entre os candidatos do Oiapoque ao Chuí. O que dizer de um candidato bizarro que tem mais de 1 milhão de votos? São Paulo bem poderia nos explicar...



Escrito por Adriano Soares às 09h59
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