Dialogando


Um dossiê no meio do caminho

No meio do caminho tinha um dossiê. No meio do caminho tinha um dossiê. No meio do caminho tinha um dossiê. E a Veja resolveu divulgá-lo. E houve negativas. E a Folha de S. Paulo resolveu divulgar quem o fez. E houve negativas. E o Estadão resolveu divulgar como ele foi feito. E houve novas negativas. E a CPI da Tapioca promete virar a CPI da Dilmagate. É, no meio do caminho da sucessão presidencial - e já começou, foi?! - tinha um dossiê aloprado e burro. E as coisas ficaram assim: a oposição, que fazia de conta que queria a CPI dos Cartões, agora quer a CPI da Dilma; o governo que não queria CPI nenhuma, agora tenta fugir da segunda e administrar a primeira. Moral da história: no meio do caminho de um mandato nunca antecipe o nome do potencial sucessor. É fria... ou fritura!

Para completar, explicações de última hora mais criam dificuldades do que soluções, de acordo com a análise de Josias de Souza (aqui). E geram reações das instituições, como aquela do futuro presidente do Supremo Tribunal Federal, Min. Gilmar Mendes, conforme noticia Noblat (aqui).



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 22h00
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Fé e juventude

O mundo está cada vez mais agnóstico; o relativismo é a única coisa não relativa da pós-modernidade. O vazio da era da internet, com todas as informações caudalosamente disponíveis, é drama do homem do crepúsculo do século XX e início do XXI. A sede de sentido, tantas vezes enfatizada por Vicktor E. Frankl, é o grande desafio do nosso tempo: temos excesso de tudo, só não temos paz. E a juventude - quem diria! - passa a buscar respostas, nesse mundo confuso de tantas perguntas e incertezas. A juventude envelhecida pelo sexo sem freios, pelas drogas disponíveis nas baladas, pela busca sôfrega do prazer a qualquer custo... Essa mesma juventude busca o Mistério, se encanta com o Deus de Abrãao, de Isaac e Jacó. O Deus de Moisés, de Pedro e Paulo. O Deus que é o Verbo encarnado: Jesus de Nazaré.

A revista Veja traz, essa semana, uma reportagem sobre a renovação dos movimentos de jovens católicos, sobretudo daqueles cuja mística é a oração e a vida contemplativa. Para ler, clique aqui. É a prova de que a sede de sentido continua a ser debelada na única fonte de vida perene. Os jovens - não todos; nem mesmo a maioria - dão-se conta que a fé é a resposta ao relativismo, ao cinismo do dar de ombros. A fé dos jovens renova a nossa fé cansada. Nos questiona em nosso comprometimento com o desrespeito à vida e concessão demasiada à doutrina da coisificação do ser humano concebido, que bem pode servir para pesquisas científicas como se não fosse um projeto sonhado por Deus.

O Supremo Tribunal Federal iniciou o julgamento sobre o uso de embriões em pesquisas de células-tronco. O voto do Min. Ayres Brito é uma oração no túmulo de Deus; um canto na tumba do humanismo autêntico; uma poesia ao niilismo de viés nietzcheano: considerou - notem bem! - que ser humano é apenas quem nasce. Nem ao nascituro deu-se a honra de ser reputado vivente, com dignidade e direitos a serem preservados. Sobre esse voto, aconselho a leitura atenta do texto de JAIME FERREIRA LOPES e HERMES RODRIGUES NERY, que pode ser lido aqui. Assombroso, é como qualificam o voto do Min. Carlos Ayres Brito. É como penso que seja.

A juventude que se converte é a esperança de que não viveremos um "admirável mundo novo" huxleyano, em que os homens são coisificados. Homens e mulheres produzidos em escala, através de mecanismos industriais, sem que haja necessidade de amor e sexo para concebê-los. A juventude convertida é a garantia de que haverá amor e sexo, plenos de sentido, plenos de poesia, plenos de descobertas e sentidos ricos.



Escrito por Adriano Soares às 21h41
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Direito Eleitoral: novo blog.

Neste ano eleitoral, resolvi utilizar as ferramentas que a internet faculta a serviço do debate eleitoral, abrindo um canal com a comunidade jurídica. Estou escrevendo anotações sobre as instruções do TSE virtualmente, através do googlepages. Agora, passo a desenvolver um blog exclusivo para tratar de direito eleitoral, expondo idéiais e opiniões, aguardando contribuições, sugestões e dúvidas. Ou seja, criando vínculos mais rápidos com os meus leitores e com os que desejam debater no País o direito eleitoral. Convido-os, portanto, a acessarem o novo endereço, que passa a constar na coluna direita, dos links indicados:

http://adrianosoaresdacosta.blogspot.com/



Escrito por Adriano Soares às 15h06
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Ainda as urnas eletrônicas: o caso Alagoas.

O tema da suposta fraude nas urnas eletrônicas em Alagoas perdeu o viço, embora haja quem ainda tente requentar a teoria da conspiração, que abriu um bom mercado para pareceristas e advogados. Afinal, nada melhor do que ter um produto desses para candidatos derrotados desesperados! O advogado Fernando Neves, ex-ministro do TSE, é o advogado de João Lyra, candidato derrotado nas eleições de 2006, defendendo a tese de que por aqui "poderia" ter havido fraude, consoante pareceres que afirmam que "é possível" que tenha ocorrido fraude. Assim, como entre o "poderia" e o "é possível" há a realidade, melhor ficarmos com ela: as urnas eletrônicas fortaleceram a nossa democracia. Aliás, o próprio Fernando Neves atribui as críticas às urnas ao choro de derrotados, que não tendo a quem culpar, culpam as urnas (Íntegra da entrevista, clique aqui):

Os defensores da teoria da conspiração, no entanto, teimam em ficar requentando a matéria, como se pode observar no excelente blog do Azenha. Para não perder o costume, acabei entrando no debate. Para ver, clique aqui ou no googlenotas, aqui. Para ler a contestação à ação proposta por João Lyra, clique aqui. Divirta-se.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 12h09
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Estado em transe e auto-engano

Venho escrevendo aqui sobre a reação dos alagoanos à Operação Taturana, sempre em tom de revolta e crítica ao meio político e às instituições. Basta acessar os sites de notícias para se perceber, nos comentários postados por internautas, textos ácidos, duros, muitas vezes grosseiros, vociferando contra tudo e todos. Raros, no entanto, comentários assinados; ou anônimos ou pseudônimos indicam a sua autoria. A firmeza da escrita não se reproduz na altivez dos gestos reclamados. Não é à-toa que o próprio superintendente da Polícia Federal em Alagoas, José Luna Pinto, recém empossado no (en)cargo, tenha publicamente questionado a placidez dos alagoanos, o silêncio das ruas e a timidez da postura da sociedade civil organizada (veja aqui).

Por que somos tão críticos com as nossas elites, repudiamos com tamanha veemência os atos de improbidade, aplaudimos nos cafezinhos e bares a coragem do Des. Sapucaia, chamamos uns e outros de ladrões e vermes, e, no entanto, somos o que somos como Estado e como sociedade? Venho me fazendo essa pergunta e já encontrei quem a fizesse também. É como se tívessmos uma ética privada e outra pública; é como se não tomássemos parte com "isto tudo que está aí", como se não nos dissesse respeito. Encontrei em Eduardo Giannetti, um dos nossos melhores pensadores na atualidade, uma explicação plausível: trata-se de um auto-engano, daquilo que ele chamou de "paradoxo do brasileiro", que é elevado à quinta potência em Alagoas. Cito Giannetti:

"O paradoxo do brasileiro é o seguinte. Cada um de nós isoladamente tem o sentimento e a crença sincera de estar muito acima de tudo isso que aí está. Ninguém aceita, ninguém agüenta mais: nenhum de nós pactua com o mar de lama, o deboche e a vergonha da nossa vida pública e comunitária. O problema é que, ao mesmo tempo, o resultado final de todos nós juntos é precisamente tudo isso que aí está! A auto-imagem de cada uma das partes - a idéia que cada brasileiro gosta de nutrir de si mesmo - não bate com a realidade do todo melancólico e exasperador chamado Brasil". Prossegue ele: "Aos seus próprios olhos, cada indivíduo é bom, progressista e até gostaria de poder 'dar um jeito' no país. Mas enquanto clamamos pela justiça e eficiência, enquanto sonhamos, cada um em sua ilha, com um lugar no Primeiro Mundo, vamos tropeçando coletivamente, como sonâmbulos embriagados, rumo ao Haiti. Do jeito que as coisa vai, em breve a sociedade brasileira estará reduzida a apenas duas classes fundamentais: a dos que não comem e a dos que não dormem. O todo é menor que a soma das partes. O brasileiro é sempre o outro, não eu". (Vícios privados, benefícios públicos? - A ética na riqueza das nações. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p.12).

O que pensamos ser individualmente não corresponde ao que somos coletivamente. Essa realidade é constante nas práticas públicas de todos nós. Certa feita, em uma reunião de negociação salarial, um determinando sindicalista virou-se para mim, à falta de melhor argumento sobre a impossibilidade financeira de se conceder aumento, e propôs que houvesse flexibilidade do governo, porque não interessava aos trabalhadores como estava sendo aplicado o dinheiro para a contratação de locação de veículos ou para a compra de combustível. Ou seja, em bom português: dê-nos o nosso que não olho para o que vocês estão fazendo! Outra experiência que vivi. Sempre se cobrou uma auditoria na folha de pagamento, vizando corrigir as distorções existentes. Foi feita. Qual não foi a nossa surpresa com a reação de alguns sindicalistas quando cortamos gratificações concedidas irregularmente ou calculadas de modo errado?!

Podemos multiplicar os exemplos e observar que muitas das denúncias feitas ao longo da vida política alagoana eram mais de color político, visando intimidar o oponente, do que propriamente estribada em provas ou mesmo com a disposição sincera em apurar. Algumas (muitas?) delas apenas com a finalidade de prejudicar o adversário, como ocorreu com denúncias na antiga Escola Técnica Federal, hoje CEFET, que visavam apenas derrotar o grupo político rival nas eleições internas, fazendo um "cozidão", requentando questiúnculas sem sustentação.

Os alagoanos somos a Assembléia Legislativa, insisto. Somos a nossa elite política. Somos responsáveis por "tudo o que está aí", cada um de nós, sobretudo os mais indignados na intimidade e omissos na atuação pública. É por isso que se torna imperioso repensar quem realmente somos, o que realmente fazemos em nossa vida social e como contribuímos para que Alagoas seja hoje o que ela é: um estado em transe!



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 22h12
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Pela graça de Deus ele provou a morte!

Extraído do blogue "Visão Cristã", do Pe. Henrique Soares da Costa. Uma reflexão e oração para a nossa Semana-Santa. Feliz Páscoa! Leia ouvindo a música abaixo: 

 Padre Marcelo Rossi (Grupo Escalada) - Noites Traiçoeiras

Vemos, todavia, a Jesus, que foi feito, por um pouco, menor que os anjos, por causa dos sofrimentos da morte, coroado de honra e de glória. É que pela graça de Deus ele provou a morte em favor de todos os homens. Convinha, de fato, que aquele por quem e para quem todas as coisas existem, querendo conduzir muitos filhos à glória, levasse à perfeição, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. (Hb 2,9s)

 

 

Contemplemos a Jesus, o Senhor.

Ele é Deus: eterno, infinito, feliz em plenitude!

Fez-se homem, fez-se menor que os anjos...

Assumiu a condição de servo, de escravo,

morreu de morte ignominiosa: morreu na cruz, como um malfeitor!

 

Pela graça de Deus, o Pai que nos amou,

o Filho provou a morte em favor de toda a humanidade.

Provou a morte: tocou-a de perto, nela entrou, com tudo aquilo que tem

de tristeza, de frieza, de derrota...

Jesus, sem pecado, experimentou a morte de pecado!

 

Por quê?

Porque o Pai, por quem e para quem todas as coisas existem,

nos amou e quis mostrar tal amor entregando o próprio Filho Único, Filho amado,

feito, como homem, autor da nossa salvação!

 

Ó Senhor Jesus,

Na tua cruz aparece a gravidade do pecado que nos deforma;

na tua cruz aparece do que somos capazes: do quanto somos capazes de matar Deus no mundo;

na tua cruz aparece toda a seriedade do amor de Deus, que não sossega enquanto não nos procura;

na tua cruz aparece as profundezas do teu coração!

 

Contemplando tua cruz, podemos compreender o significado da frase:

Deus é amor!

 

Pela tua santíssima paixão e morte de cruz,

salva-nos, ó Cristo nosso Deus!



Escrito por Adriano Soares às 17h41
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Vertigem!!!

Em "A insustentável leveza do ser", Milan Kundera descreve de um modo único o sentimento de vertigem. Diz ele, em seu primoroso romance:

"O que é vertigem? Medo de cair? Mas porque temos vertigem num mirante cercado por uma balaustra sólida? Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrae e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados."

Noutra passagem, ainda mais rica, fala-nos de modo mais genuíno e profundo:

"Era a vertigem. Um atordoamento, um insuportável desejo de cair. Eu poderia dizer que a vertigem é a embriaguez causada pela nossa própria fraqueza. Temos consciência dessa fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com ela, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão."

A política alagona vive o seu momento de vertigem. A "Operação Taturana" da Polícia Federal expôs todos os graves problemas do Poder Legislativo alagoano. Ao invadir a sua intimidade, trouxe para a luz vários aspectos conhecidos pela sociedade, que - dormente - acostumou-se com eles, vistos com resignada naturalidade. De repente, alguns atingidos pelas apurações passaram a reagir de modo indignado, clamando inocência e apelando para prerrogativas funcionais. À ação correspondeu uma reação: exposição pública ainda maior das provas coletadas. Novas reivindicações de observância das prerrogativas, novas declarações desafiadoras, como náufragos se debatendo no meio de um dilúvio. Vertigem! O chão saindo dos pés e o desejo de exposição excessiva, constante, quase suicida...

Ao momento de catarse coletiva, com as pessoas eletrizadas pelos acontecimentos, seguiu-se o momento de conflitos no meio da classe política, de exposição de membros de outros poderes constituídos, de clima de conspiração e medo. Alguns, sob suspeita, saíram publicamente agindo no sentido de se mostrar acima de qualquer temor, expondo-se deliberadamente, como a dizer: "Estou aqui, sou assim, e dái?!". Vertigem! De outra banda, homens públicos passaram a se acusar de forma aberta, nos jornais locais: ao "você desviou" de um, houve-se o "seus aliados são ladrões", de outro. Vertigem!

A sociedade perplexa, eletrizada, assiste a exposição das vísceras da classe política. No meio disso tudo, apresentam-se caixas e mais caixas, poeticamente denominadas de "Pandora", a lembrar o sentido destruidor da mitologia. Os que jogavam pedra, apresentando-se como denuciante voraz, poderão agora ser vítimas delas. Vertigem! O vórtice faminto dentro da Casa de Tavares Bastos começa a desejar tragar mais reputações, pessoas, relações e a elite do poder constituído alagoano, independentemente de partido, coloração política, cargo, função, posição...

Alagoas está sendo passada a limpo de uma forma profunda, inimaginável, impensável e impressionante. Um tsunami que começou sem que se desse conta da sua extensão, das suas conseqüências, do seu tamanho... E no meio disso tudo, impressiona a reação de alguns, que impotentes agem como se pudessem mudar as coisas, invocando prerrogativa de função e apelando para emitir comunicado a quem não ouvirá, não apoiará e rirá dele. Vertigem! Só Kundera pode explicar o que o meio ambiente do homus-politicus alagoano está passando: Vertigem!



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 17h17
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- Não é, Lourival?!

Poesia é uma boa música, sobretudo romântica. Gerações aprenderam a gostar das poesias cantadas por Roberto Carlos, que não recebeu o título de "rei" por acaso. Aprendi a gostar das suas músicas vendo os seus programas de fim de ano na Globo, ainda criança em Junqueiro. Era uma oportunidade para dormir mais tarde, na véspera de Natal, com os meus seis, sete anos de idade. Lembro-me, como se fosse hoje, quando assistíamos ao programa e Roberto cantava as suas músicas deliciosamente cheias de imagens, como "cavalgada", "os botões da blusa", "café da manhã", e observava minha mãe, com um olhar termo para o meu pai, dizer - sem ter nem pra quê - a expressão que tantas vezes ouvi criança, sempre nos programas do Rei: "- Não é, Lourival?!". Um olhar faceiro, apaixonado, que não compreendia naquela idade.

O "Não é, Lourival!?" era tão rico de sentidos, de cumplicidade, de verdadeiro amor, que só o tempo me fez compreender aquele mistério, aquela pergunta sem nexo, aquela exclamação plena de afeto. Era uma frase dita com os olhos, com o balançar das perna cruzada sobre a outra com as mãos no joelho, e o doce sorriso ao final da fala. É a melhor expressão da poesia da minha infância, culminada com o assentimento tímido e discreto do meu pai, olhar fixo na televisão preto e branco, mas as idéias vagando não se sabe para onde...

Meus pais sempre tiveram o amor perfeito. Amor humano, cheio de falhas, de algumas (poucas e escondidas) brigas, de diversidade de temperamentos e visão de mundo. Mas de muita sinceridade, cumplicidade, reciprocidade nas dificuldades, companheirismo e espírito de renúncia, sobretudo para os filhos. Em homenagem a eles, por que não ouvir o Rei, cantando em homenagem ao amor perfeito? Por que não ouvi-lo cantando para a vivência em carne e brasa do amor mais que perfeito, com as suas cavalgadas, "- Não é, Lourival?!"

               (Cavalgada)

           (Amor Perfeito)



Categoria: Pessoal
Escrito por Adriano Soares às 13h49
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Trem, vagões e rumos

Alagoas vive um momento único em sua história. Os poderes - todos! - estão sendo questionados e sob pressão. Intensa a artilharia da sociedade, por várias razões. Quem está do lado de cá do balcão, sente a pressão popular e o ar pesado, que permeia cada gabinete. Todos, em maior ou menor grau, estão preocupados com o rumo das coisas. Todos, sem exceção, aguardam ansiosos o desfecho da tormenta, nada obstante haja no horizonte a certeza de que outras virão. É uma catarse coletiva, necessária e em dose cavalar.

Certo, há os sem consciência, que mesmo engolidos pela onda não se dão conta da sua força. Dão de ombros, exceto quando os fatos se sobrepõem ao delírio do auto-engano, como ontem, na histórica decisão do Des. Sapucaia. O Diário Oficial do Município de Maceió começou a publicar os cargos em comissão, nomeações e demissões. Sinal dos tempos: o Legislativo Municipal começa a compreender o sentido do princípio da publicidade dos atos públicos. Isso é salutar.

Inegável a mudança. Inegável que estamos todos os alagoanos dentro de um trem sem destino certo, cujos vagões podem descarrilhar, saindo sozinhos do rumo ou levando a locomotiva todinha. A questão a saber é: quantos vagões sucumbirão? quantos chegarão ao destino? quantos são necessários ser expurgados para que o trem se endireite no seu curso? Vamos ver o que a história no-lo diz.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 18h02
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A decisão de Sapucaia e o afastamento dos deputados.

Foi noticiada a publicação da decisão do Des. Antônio Sapucaia afastando dez deputados estaduais da Assembléia Legislativa do Estado de Alagoas. A decisão é inédita e impressionante, independentemente do que se possa discutir sobre os seus desdobramentos jurídicos. A reação popular de apoio àquela decisão pode ser observa nos vários sites de notícias do Estado. A íntegra da decisão pode ser lida aqui. Não é uma peça jurídica primorosa; não é um texto longo e repleto de citações e embasamento teórico... Nada disso. Aí está também a sua força: é simples, direto, objetivo, rotundo e avassalador. Sobre os fatos, chega a ser cortante de tão trivial: não precisariam nem ser provados, porque são públicos e notórios, dirá sem circunlóquios.

Independentemente das afeições ou rivalidades pessoais que se possa ter por um ou outro parlamentar, do sentimento de (in)justiça que a decisão possa suscitar, uma coisa é certa: a deslegitimação dos poderes constituídos gerou em Alagoas um esgarçamento das relações com a sociedade, que se via à margem (marginalizada, portanto) e excluída. O poder que advém do voto esqueceu-se do eleitor, justamente porque o voto havia deixado de ser uma manifestação livre de vontade, virando um escambo, um negócio que se encerrava ali, no dia da eleição. Depois dela, o eleitor virava o "zé povinho" que mendigava atenção.

A lição vale para todos os poderes, inclusive e principalmente o Executivo. Nenhum homem público está acima da lei ou das instituições. Nenhum pode se julgar intocável, invencível, acima do bem e do mal. É a lição que Sapucaia nos dá a todos, cidadãos alagoanos, com a sua caneta honesta e a serviço da magistratura há tanto tempo.

É preciso respeitar a Assembléia Legislativa, como poder constituído. É preciso que não nos esqueçamos que ela é a nossa cara, com todas as suas mazelas e virtudes. A elite alagoana está ali muito bem representada. Não adianta só o regozijo de alguns; é preciso uma profunda reflexão nos perguntando: por quê? Sim, vejamos os suplentes de deputado; vejamos o que a nossa classe política produziu em termos de parlamento.

A hora é de reflexão de todos os poderes, dos cidadãos alagoanos e da sociedade civil organizada. A hora de tomada de decisões, de mudança de hábitos e, sobretudo, de superação da crise política. Porém, indubitavelmente a crise se agravará. É preciso, então, maturidade, ânimos serenados e posição madura, sem leviandades. Que Deus nos ajude a todos!



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 21h40
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Evangélicos, Record e liberdade de expressão

A Rede Record continua sendo utilizada pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) para defender os interesses ou ponto de vista do neopentecostalismo de Edir Macedo. Atacou a Folha de São Paulo, valendo de inúmeras ações judiciais propostas por seus fiéis em diversas partes do País, contra matéria de autoria da jornalista Elvira Lobato, questionando o uso dos dízimos pela empresa religiosa. Agora, ataca a Rede Globo, movida por uma personagem evangélica da novela "Duas Caras", que seria louca e fundamentalista (desculpem o pleonasmo!). Se aparece um padre afeminado ou paquerador, não há reação contrária (veja o exemplo da novela "Desejo Proibido", cujo personagem principal é um padre que abandona a batina por uma mulher...). Nenhuma nota. Se aparece um evangélico problemático, é preconceito. Paciência. Veja a matéria da Folha on line:

17/03/2008 - 14h30
Novela é ficção, chute na santa é vida real, diz executivo da Globo
da Folha Online

A Globo reagiu à reportagem da Record de ontem à noite, na qual a emissora atacou o "preconceito religioso" que a novela "Duas Caras" estaria promovendo (segundo a própria Record). Para o diretor da Central Globo de Comunicação (CGCom), Luis Erlanger, a atitude mostra como a Record é preconceituosa e confunde ficção com realidade.

"Chute na santa, campanha para acabar com as festas de São João etc., isto, sim, é coisa da vida real. O que se passa em "Duas Caras" é só uma ficção, afirmou Erlanger à Folha Online.

"O preconceito é deles (da Universal) que (automaticamente) colocam uma fanática desequilibrada como evangélica, e não o Aguinaldo Silva. Que, aliás, é um defensor de movimentos e de minorias."

A última reportagem de ontem no "Domingo Espetacular", com várias chamadas, criticou a trama de Aguinaldo Silva por ter levado ao ar uma cena na qual a personagem Edivânia (Susana Ribeiro) comandava uma tentativa de linchamento do triângulo amoroso formado pelos personagens Dália (Leona Cavali), Bernardinho (Thiago Mendonça) e Heraldo (Alexandre Slaviero). A Globo foi acusada abertamente de incitar o preconceito contra evangélicos. Há um detalhe: em nenhum momento a novela usou a palavra "evangélico", embora seja óbvio que Edivânia pertença à corrente.

No entanto, a reportagem da Record não citou que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), dona da emissora, tem histórico de ataques outras religiões, como o candomblé e o espiritismo, além da Igreja Católica.

Um dos principais best-sellers do dono da Record e líder da Iurd, bispo Edir Macedo, é o livro "Orixás, Caboclos e Guias - Deuses ou Demônios?". A obra diz que umbanda, candomblé, quimbanda e kardecismo são os "principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria".

O livro foi tirado de circulação em 2005 pela Justiça, a pedido da Procuradoria Geral da República, acusado de intolerância para com as religiões afro-descendentes.

Em entrevista à Folha Online, o promotor Almiro Sena Soares Filho, da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Ministério Público Estadual da Bahia, afirma que, em Salvador, já houve casos de agressões de fiéis evangélicos a terreiros de candomblé.

Mas, segundo o promotor, os evangélicos também sofrem com a intolerância. "Tem gente que diz que evangélicos são otários e que os pastores são estelionatários. A gravidade é a mesma e esse preconceito é absurdo. Há gente boa e ruim em todas as religiões", afirma.

Para Soares Filho, a única saída para o conflito é a convivência harmoniosa entre as religiões. "Todas as religiões devem ser respeitadas".

A Folha Online procurou a Record, para comentar o caso. No final da tarde desta segunda-feira, a emissora divulgou, em nota, que o programa "Domingo Espetacular" foi imparcial ao narrar os fatos.

Voltei.

A reação da Rede Record não é produto de respeito às denominações religiosas ou à fé das pessoas, sejam quais forem. É um movimento calculado em sua linha jornalística de alinhamento claro às posições da IURD e de tentativa de ser uma autorizada porta-voz das denominações neopentecostais evangélicas. Sobre intolerância, basta relembrar os chutes na imagem de Nossa Senhora Aparecida, que desrespeitaram a fé da maioria católica brasileira de modo grosseiro, servindo de escola para outros pastores periféricos e tão ávidos quanto. Faça um teste ao assistir a matéria do Pastor von Helder: feche os olhos e veja se a voz que você ouve lembra alguém...

 



Escrito por Adriano Soares às 20h28
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