Dialogando


Navalha em Alagoas

O governador Teotônio Vilela Filho foi denunciado pela Procuradoria Geral da República em razão da denominada Operação Navalha. É uma situação política desconfortável. Ninguém melhor do que o jornalista Ricardo Mota soube dizê-lo (aqui). Quero aqui fazer apenas algumas reflexões, para que possamos compreender alguns aspectos políticos.

Em meio a uma crise com a vivida pela Assembléia Legislativa, poder-se-ia imaginar que o Poder Executivo passaria a viver símile dificuldade. Não. Em primeiro lugar, porque Teotônio Vilela Filho não é um neófito em política: possui uma história e é respeitado pelo que construiu como um senador sério, ex-presidente nacional do PSDB e político experimentado. Ou seja, não será pela denúncia proposta que ele perderá o seu prestígio e a sua envergadura política, aqui e alhures.

É cedo para se comentar as razões da ação proposta e as provas colhidas pela Operação Navalha, ainda mais quando todos os fatos publicados se referem a pessoas próximas ao então senador, e não propriamente a conduta pessoal do hoje governador. Ainda que incômodo, o fato da proximidade, por si só, não gera conseqüências, salvo por ilação.

Do ponto de vista político, Teotônio Vilela Filho vem tomando todas as medidas administrativas necessárias para corrigir o rumo do Estado, afastando erros e vícios históricos do serviço público. Em relação à segurança pública, teve a coragem de deixar que o governo federal pudesse contribuir de modo decisivo, nomeando para o cargo de secretário de Defesa Social o delegado federal aposentado Paulo Rubim. Não se trata de discurso; trata-se de um gesto concreto de compromisso com a moralidade administrativa e o combate sem tréguas ao crime organizado. Por isso, leio as reflexões de Ricardo Mota com a seriedade que elas merecem, apenas fazendo esses temperamentos, que retiram as tintas fortes que o quadro pintado revela. Há gravidade, é certo, porém com mitigações que a situação e o personagem encerram.



Escrito por Adriano Soares às 17h34
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MATERNIDADE

Dias das mães. Dia de meditar sobre o amor qualificado, único, intenso, inegociável: o amor de mãe. Segue o podcast especial para este domingo de maio.

Não há amor mais profundo do que o amor de mãe. Sim, o amor admite qualificações, intensidade, profundidade e extensão. Não é um verbo intransitivo: pede complemento sempre, pois o amor não se volta para si mesmo, requerendo o outro. A "outridade", o tender ao outro, é o que qualifica a própria existência do amor. Sem que haja polaridade, intersubjetividade, não há como se amar, pela ausência do objeto amado, daquilo que nos excede, que está para além de nós mesmos e de nosso controle.

Há o amor próprio, é certo. Porém, o amor de si mesmo é amor perante o outro, que impede a maceração do eu, até a própria redução ao nada ou destruição. A carência de amor próprio é perda de referência de nós no mundo na relação com o outro, na polaridade essencial do eu-tu, que nos retira do narcisismo da reflexividade. O amor de si mesmo exacerbado é o que nos leva ao orgulho, à vaidade e a perda da dimensão do outro, do diálogo que somos nós.

Dizia que o amor admite qualificações. Sim, pode ser frágil, ingênuo e imaturo, como aquele amor na adolescência, que nos arrebata e nos faz sonhar, mas que não ultrapassa a primeira trovoada ou a primeira possibilidade de substituição por outro, tão fugaz quanto o primeiro. Pode ser profundo e intenso, todavia, como aquele que descobrimos com a maturidade, que supera as dificuldades, os conflitos e até as feridas mais dolorosas. Amor construído na rocha, para ser sólido, mas no alto de uma colina, para não perder o gosto dos vôos sem fim, que nos eleva a alma, o corpo e o coração.

Mas há amor possível que seja mais profundo do que o de mãe? Penso que não. Porque o amor de mãe é o primeiro amor, acalentado quando sente as mudanças do seu corpo à espera daquele que há de vir. Amor que se manifesta no simples apalpar do ventre, como a acariciar instintivamente aquele prenúncio de vida que surge em suas entranhas. Todo o seu corpo se prepara para o acolhimento, a alimentação, a defesa intransigente daquele ser indefeso, que olha e sente o mundo através dos sentimentos e olhos maternos. Uma relação profunda, única e inexplicável. Basta olhar para uma mulher grávida: seus olhos mudam, sua face resplandece, sua percepção do mundo se modifica: é como se a natureza começasse a prepará-la para a arte e a aventura de amar sem medida, de se doar sem limites.

Quem não se lembra do filme "Paixão de Cristo", de Mel Gibson, quando Maria corre para o seu filho, humilhado e ferido violentamente pela guarda romana, carregando o lenho pesado da cruz, em esforço superior aos restos de suas forças. Quem não se lembra da sobreposição de imagens, feita de forma poética e ao mesmo tempo crua (quem disse que a poesia às vezes não reivindica crueza?!), mostrando ela correndo em direção de Jesus criança caindo inocentemente, como todas as crianças, e ele adulto, massacrado como o servo sofredor profetizado por Isaías? Ali, Maria dizia "sim", mais uma vez, como dissera desde o início a Deus. Um "sim" que não se acaba, que tudo suporta, que tudo supera. Quando Maria assiste a dor de seu filho na cruz, faz o exercício mais intenso de sua maternidade: amar até o fim, até a dor mais radical e sufocante. Na sua coragem, Maria nos revela todo o carisma da maternidade.

O amor de mãe é também o amor responsável que sabe dizer "não", educando o seu filho sobre os seus limites, sobre o respeito aos outros, sobre as fronteiras do certo e do errado. Sim, porque amar é também educar, preparar aquela nova vida indefesa para o jogo da vida, para a riqueza do dom recebido e para a gratuidade do amor de Deus. Por ter aprendido tanto com a minha mãe, com o seu "sim"e com o seu "não", aprendi o que é o amor de mãe. Por ver em cada gesto da minha esposa, acalentando a nossa filha, percebo, de um modo sumamente bonito, a intensidade desse amor sem limites. A elas dedico esse podcast.



Categoria: podcast
Escrito por Adriano Soares às 22h36
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Recordações da aldeia

Éramos de Junqueiro, pequena cidade de Alagoas. Tinha 9 anos de idade quando viemos morar em Maceió. Sai do meu mundo, minha aldeia, para a cidade grande, onde tudo era complexo e gigante para os meus olhos infantis. Angústia e medo.

Também ouça o podcast aqui.

 



Categoria: podcast
Escrito por Adriano Soares às 20h19
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Auditoria e folha de pagamento

Auditoria da folha de pagamento faz-se permanentemente e com meios de controle do próprio gestor. Ou seja, deve haver controle sobre quem controla a folha, para que ela não seja apropriada por ninguém. Por isso, encaminhei ao Governador a proposta de criação de uma comissão permanente de auditoria da folha, com representação mista, envolvendo outros órgãos. Segue o texto publicado na Agência Alagoas:


Segesp propõe criação de comissão permanente de auditoria da folha de pagamento


Comissão Permanente de Administração, Controle e Parametrização do Sistema Integrado de Recursos Humanos e Auditagem de Dados Funcionais e da Folha de Pagamento - CPAFP - vai dar continuidade ao processo de moralização da folha de pessoal do Poder Executivo. 07/05/2008 18:02 O secretário de Estado da Gestão Pública, Adriano Soares da Costa, encaminhou esta semana minuta de decreto ao governador Teotônio Vilela Filho, instituindo a Comissão Permanente de Administração, Controle e Parametrização do Sistema Integrado de Recursos Humanos e Auditagem de Dados Funcionais e da Folha de Pagamento - CPAFP. A Comissão vai dar continuidade ao processo de moralização da folha de pagamento do Poder Executivo, com mecanismos para aumentar a transparência da gestão da folha de pessoal, aprofundar e melhorar os instrumentos de auditoria, além de envolver a participação de outros órgãos no processo constante de controle interno. "A criação da Comissão acabará com a liberdade que existia para a adulteração dos dados introduzidos na folha de pagamento, passando a Secretaria da Gestão Pública a ter instrumentos para fiscalizar e, também, ser fiscalizada na administração da folha", afirma Adriano Soares. A medida visa manter o projeto de romper com a gestão anterior da folha de pagamento, na qual poucas pessoas dominavam o processo da sua confecção, sem que houvesse meios de fiscalizá-lo. O secretário ratifica "está acabando o tempo em que a folha de pagamento tinha donos, em que os seus dados eram manipulados ao gosto do gestor de ocasião. Com a criação da Comissão, a licitação do novo sistema de gestão da folha de pagamento e a realização de concurso público para contratar servidores efetivos para gerenciarem a folha, Alagoas deixará para trás o tempo em que a sua folha de pessoal era pendente de controle e de seriedade". A Comissão será composta por oito membros, sendo pelo menos dois terços servidores públicos efetivos, dois dos quais pertencentes ao quadro da Secretaria da Fazenda e da Controladoria Geral do Estado.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 12h20
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Flamengo: campeão carioca de 2008

 Um jogo com dois tempos diferentes. No primeiro tempo, um Flamengo recuado, armado para preservar o direito ao empate, conquistado com a vitória no domingo passado. O Botafogo, com disposição, veio para cima, jogou melhor e fez um gol mandrake, em razão menos da falha de Bruno e mais do erro de posicionamento da defesa, que poderia sair em bloco para deixar os jogadores botafoguenses em empedimento na cobrança da falta de Lúcio Flávio. O goleiro ficou com a visão encoberta e vendido no quique da bola.

Mas aqui não é o lugar de se mostrar o gol mandrake do Botafogo. Aqui é lugar de celebrar o melhor time do Rio de Janeiro e - cá para nós - do Brasil.

O segundo tempo foi do Flamengo, mercê da estrela de um iluminado Joel Santana. A entrada de Obina e Tardelli, no lugar de um apagado Ibson e de um defensivo Christian, fez a diferença: o time cresceu, sufocou o Botafogo e poderia ter feito uma goleado superior ao rotundo 3X1. Flamengo campeão!!!

  

 Torcida Show - Flamengo



Escrito por Adriano Soares às 18h27
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Crise na Bolívia

A Bolívia foi sempre um país de política conturbada. Tantos foram os golpes militares que era difícil saber quem era o presidente da República. País pobre, inegavelmente explorado em suas reservas naturais - como de resto foram os países sulamericanos -, esperava-se que a eleição de Evo Morales contribuísse para a instalação de uma democracia equilibrada, com mudanças na política econômica e social que viessem a melhorar as condições de vida dos bolivianos. Evo começou com um gesto aparentemente ousado: mandou que os prédios da Petrobras fossem ocupados por forças militares, nacionalisando as refinarias de gás e pagando ao Brasil um preço vil por elas. Digo que o gesto foi ousado apenas em aparência, porque inegavelmente o governo brasileiro condescendeu com ele e, apesar do jogo de cena interno, apoiou os interesses bolivianos, como forma de fortalecer Evo Morales, de resto um legítimo representante do Fórum de São Paulo, o grupo das esquerdas latinoamericanas.

Mas Evo buscou usar de modo cavalar a fórmula chavista de demínio político: reformar a Constituição e atribuir-se poderes de refundar a república. A imitação, viu-se depois, foi um simulacro: tentou impor a sua Constituição, através de ardis, como a sua promulgação em uma sessão do Congresso Constituinte fantasma, marcada para ocorrer em um local cujos seguidores de Morales eram os únicos conhecedores prévios. Sem a legitimidade do voto, que bem ou mal Chavez obteve, Morales viu-se com o seu poder minado pela reação das províncias mas ricas, como Santa Cruza de la Sierra.

O país respeira os ares do separatismo e do desafio ao poder central. A Bolívia rachou porque Morales trabalhou de forma excludente: quem não comungava dos seus pensamentos era excluído do debate. Moral da história: o país vive o risco de uma profunda crise política, cujo final é de todos desconhecido, salvo a certeza de que mais uma vez a sociedade perderá como um todo.

Para entender o referendo de Santa Cruz e a questão boliviana, clique aqui.



Escrito por Adriano Soares às 13h24
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Ainda o caso Isabella

As técnicas são modernas, mas os operadores... Assim é a realidade da polícia civil paulista, que busca provar as suas teses e não - como seria próprio - colher provas sobre os fatos ocorridos e, através delas, fazer o desenho do que aconteceu naquela noite fatídica. Já disse aqui que não tenho dúvidas sobre a autoria do homicídio da menina Isabella Nardoni, porém alertei para os excessos da abordagem midiática, para a qual muito contribuiu a atuação da polícia, que vazava informações de seu interesse, passando o que era ilação sua como fato provado, criando nas pessoas a certeza da autoria do crime e de como ele teria ocorrido. A defesa do pai de Isabella fez o quê? Aguardou para jogar em cima dos erros da polícia. E começa agora a minar as suas conclusões, apontando falhas e omissões no inquérito, justamente para deixar a sua credibilidade em dúvida. Um excelente trabalho, diga-se de passagem. Afinal, não se ganha um processo conversando água; ganha-se com estratégia. E a defesa claramente tem uma; e boa!

Na matéria do Jornal Nacional, postada abaixo, expõem-se omissões e falhas do relatório da Polícia Civil, que se não compromete o trabalho inteiro, deixa uma avenida larga para as dúvidas suscitadas pela defesa transitarem, gerando a obrigação do Ministério Público, que tem a função de acusar, fazer prova das versões assumidas como verdadeiras pela opinião pública, utilizando elementos que já não dispõe, ao menos neste momento. Afinal, o ônus da prova é de quem acusa, não é mesmo? Mais uma lição para os açodados que querem condenar antes de fazer prova. Querem trabalhar bem um processo? Fundamental aguardar o erro do adversário. Ora, quando a polícia faz da coleta de provas um espetáculo, aí as falhas surgirão aos borbotões...

(Versão modificada em 4 de maio, às 13h10)



Escrito por Adriano Soares às 23h44
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A Polícia Federal do governo Lula

A atuação da Polícia Federal no governo Lula possui dados impressionantes. Nunca se fez tantas operações e nunca se prendeu tanto, neste país, autoridades de todas as esferas e de todos os poderes. Juízes, políticos, banqueiros, empresários, servidores públicos... e até policiais federais. A Polícia Federal passou a desemprenhar um papel profilático nas instituições, atuando com tecnologia e técnicas policiais cada vez mais avançadas. Com isso, passou a ser respeitadas e temida por todos, pelo seu profissionalismo, ainda que aqui e ali com alguns excessos. É uma instituição respeitada, sobretudo porque vem cortando na própria carne, afastando a sua banda podre. Vejam o gráfico impressionante publicado pelo Estadão e compreendam a magnitude deste trabalho:



Escrito por Adriano Soares às 23h43
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Economia: mudanças no mercado alagoano

Há uma mudança importante na economia nordestina e, por tabela, na alagoana. O investimento de grandes empresas, que buscam consolidar a sua hegemonia no mercado nacional lançando-se nos mercados até então esquecidos. Até bem pouco tempo, por exemplo, tínhamos no setor de supermercados apenas a rede Bompreço e o alagoano Via Box. Com o monopólio daquele, impondo seus preços e limitando a possibilidade de competição deste, o consumidor tinha poucas opções de comparar preços e produtos. Ou ia a um ou a outro, no máximo podendo procurar a rede arapiraquense Compre Bem ou os mercadinhos de bairro.

Em menos de uma década, temos o Bompreço comprado pelo Wal Market, com uma diminuição da sua qualidade e uma busca por melhores preços. O Via Box foi comprado pelo G Barbosa, que por sua vez foi adquirido por uma bandeira chilena. O Extra, do grupo Pão de Açúcar, já instalou duas unidades, devendo instalar outras, além da notícia de que o Carrefour está para chegar em Alagoas. De repente, não mais que de repente, as grandes redes de supermercados travam as suas batalhas comerciais nas esquinas de Maceió. Bom para o consumidor e melhor ainda para o fornecedor local, que passa a ter preço para o seu produto, já que agora há compradores qualificados.

Se isso ocorre neste ramo, já aviso que em outros ramos começa a ocorrer o mesmo. Cito a construção civil, em que a Gafisa comprou a Cipesa e vai passar a investir forte em nosso litoral. Há dúvidas que outros concorrentes de peso chegarão com apetite?

O que isso significa, afinal? Que haverá novas oportunidades de emprego, mas também que o empresário local passará a ter mais dificuldade´para manter o seu negócio em um ambiente hostil e mais competitivo. Casos raros, como o Palato, são a prova de que é possível resistir aos grandes empreendimentos se, e apenas se, oferecer opções diferenciadas ao consumidor mais exigente. Teremos que nos adaptar a essa nova realidade, que vai mudar o meio ambiente empresarial do Estado.



Escrito por Adriano Soares às 23h25
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Músicas para ouvir

Vou postar aqui uma seleção de músicas para ouvir, enquanto se navega em outros sites, usando outra aba do msn-explorer ou do firefox. Músicas leves, boas para relaxar.



Escrito por Adriano Soares às 13h12
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