Dialogando


Um conto com desconto: cantiga de cigarra

A cigarra me desafiava com o seu canto solene e contínuo. Postada no galho do frondoso abacateiro do nosso quintal em Junqueiro, ela parecia não se importar com a minha vontade de pegá-la à sorrelfa, pois estava perdendo a batalha para ver quem pegava mais cigarras. Subi lentamente o abacateiro, que para os meus sete anos era uma árvore imensa. Hoje tenho dúvidas sobre aquela imensidão que apenas os olhos infantis enxergam. Bem, fui subindo lentamente pelo grosso tronco e alcancei uma bifurcação que servia de apoio. Sentei-me ali e continuei a olhar para a cigarra, passivamente acomodada em um dos galhos. Calculei que dava para pegá-la, naturalmente se caminha-se pelo mesmo galho em que ela estava postada, segurando-me em um outro mais fino e mais alto. Levantei-me e comecei a empreitada. O vento era leve, não atrapalhava muito, embora o galho dançasse sob o seu ritmo. Aproximei-me da cigarra, abaixei-me com uma das mãos segurando o galho mais alto e parei diante dela. Ela continuava o seu cantar monocórdio, alto e contínuo. Minha mão aproximou-se lentamente dela, sem pressa alguma. Temia a sua fuga. De repente, dei o bote e segurei a cigarra em minha mão. Nesse momento, por instinto, soltei o galho que servia de apoio para mim. Senti o meu corpo balançar e girar. Rapidamente, sem pensar, soltei a cigarra e me segurei com as duas mãos no galho que servia antes de estrado, quando meu corpo já caia rumo ao chão. Com enorme esforço, lancei a minha perna em direção a ele e consegui prender o meu pé, permitindo forçar o meu corpo para cima, me reposicionando sobre o galho. Sentei-me ali mesmo, esbafurido. Procurei a cigarra. Lá estava ela, no tronco, cantando novamente. Iniciei o processo de descida, com calma e com o que restou da minha dignidade. Ao chegar ao chão, são e salvo, olhei mais uma vez para a cigarra. Uma pedra estava ao meu alcance e poderia, com alguma sorte, acertá-la. Mas meu ímpeto foi contido. A cigarra sobrevivera ao meu infortúnio. Eu estava inteiro. Resolvi ficar ali alguns minutos ouvindo a sua cantiga, enquanto baixava o ritmo do meu coração. Ela merecia seguir a sua cantoria; eu, as minhas travessuras.

A cigarra me ensinou que não podemos querer destruir o que não alcançamos, o que canta bonito, o que tem luz própria. Na fauna humana, os invejosos adoraram jogar pedras, apenas para calar o que eles gostariam de ser e não são. Canta cigarra, que é para isso que você existe. Não se importe com os que querem aprisioná-la.



Escrito por Adriano Soares às 22h59
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Equiílibrio entre os poderes: grampos para todos

A frase do dia, sem dúvida, é do presidente do Senado, Garibaldi Alves ao comentar a matéria da revista Veja, pela qual soube que o seu telefone e o do presidente do STF estariam grampeados: "Presidentes dos dois Poderes grampeados, não dá. Para manter ao equilíbrio e a harmonia entre os três Poderes, têm que grampear também o outro (o Executivo)".



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 02h59
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Eleições em Maceió: uma análise da pesquisa GAPE

A ser levada a sério a pesquisa divulgada hoje pelo instituto Gape, da Organização Arnon de Mello, a eleição de Maceió é um passeio. Isso, aliás, já apontava pesquisa anteriormente feita pelo instituto Vozes. Claro, ambos institutos têm credibilidade limitada, em decorrência de resultados divulgados em anteriores eleições. Porém, admitamos que seja ela real - e o "sentimento das ruas" parece comprová-lo -, podemos aqui fazer uma rápida análise. Vamos à matéria da Gazetaweb e depois às rápidas observações:


Almeida lidera corrida pela Prefeitura de Maceió

Cícero tem 80% das intenções de voto; Judson tem 6%; Jurema 2% e Agra 1%

Gazeta de Alagoas

O Instituto Gape divulgou neste sábado os números da primeira pesquisa eleitoral de 2008 realizada em Maceió e mais sete municípios do Estado. Na capital, o prefeito Cícero Almeida começa disparado na frente, com 80% das intenções de voto, contra 6% de Judson Cabral (PT), 2% de Solange Jurema (PSDB), 1% de Mário Agra (PSOL) e 0% de Manoel de Assis (PSTU). O levantamento, realizado entre os dias 20 e 22 deste mês, aconteceu também em Arapiraca, Delmiro Gouveia, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Penedo, Maragogi e São Miguel dos Campos.

Em Arapiraca, a liderança é de Luciano Barbosa (PMDB), com 75% das intenções de voto, contra 4% do Pastor Galdino (PV). Em Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira (PRB) está na frente, com 48%, contra 20% de Cazuza (PSB).


A pesquisa mostra que a estratégia da campanha de Solange Jurema de bater forte em Cícero Almeida não apenas não deu certo como teve efeito contrário. Solange ficou para trás até de Judson Cabral, que subiu para 6%, em uma campanha - digamos assim - com gosto de chuchu. Os ataques a Cícero Almeida foram, em alguns momentos, além da dose, com o uso de uma âncora antipática e agressiva, em muitos momentos desrespeitosa. Ao revés de gerar um sentimento contrário a Cícero, gerou antipatia para o programa da candidata tucana.

A diferença entre a propaganda de Teotônio ao governo do Estado e de Solange à prefeitura de Maceió é justamente essa: Teotônio tinha história, carisma e um adversário que podia ser batido em pontos estratégicos. Solange não tem história política (obviamente, tem pessoal, mas sem a exposição necessária para iniciar a vida política em uma campanha majoritária), tem pouco apelo popular (embora seja pessoalmente uma pessoa agradável e de bom convívio) e tem um adversário difícil de ser batido, justamente pela visibilidade que as obras deram a sua administração. Pode não ser uma brastemp, mas foi simplesmente a mais bem sucedida dos últimos tempos em termos de visibilidade, realizações e marketing. Pecou no social? Pecou muito. Mas o povo gosta é de concreto e asfalto! E nisso Cícero foi imbatível.

A campanha tucana precisa urgentemente mudar a linha de ataques, começando por tirar a âncora do absurdo. Ela (rectius, a personagem que ela encarna) é chata, raivosa e deselegante. Desrespeitosa, trata o prefeito de modo ultrajante, chamando-o inclusive de semi-analfabeto. Isso, cá entre nós, não soma nada e não condiz com a realidade: Cícero pode não ser culto, mas é letrado e teve autoridade para administrar e impor o seu estilo depois que se liberou dos compromissos políticos que assumiu na eleição de 2004. Ainda há eleição, ainda há campanha, mas parece que não haverá chances de mudança significativa nesse quadro, sem que se adote uma nova estratégia de abordagem dos ataques desferidos à atual gestão.

Em Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira vencerá com folga. As pesquisas retratam uma realidade em que ele nem campanha havia feito, porque estava preso. Agora, livre, crescerá muito e será vitorioso com facilidade.


O Pajuçara Sistema de Comunicação (PSCOM), por meio da TV Pajuçara e do Tudo na Hora, encomendou mais uma pesquisa para a Prefeitura de Maceió, que mostra a situaçao confortavel do prefeito Cícero Almeida (PP) e o crescimento raquitico de 4,2% da candidata Solange Jurema (PSDB) e 2,6% do petista Judson Cabral. Segundo os números, Almeida teria 80%, se as eleições fossem hoje, Solange 5,2%; Judson 3,8%, Mário Agra (Psol) estaria com 0,7% e Manoel de Assis (PSTU) com 0,5%. Ou seja, apenas um milagre tira a vitoria de Cicero Almeida.

Atualiaçao em 2 de setembro de 2008.



Categoria: Política
Escrito por Adriano Soares às 21h35
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Sempre Laura Pausini

Uma música doce para o fim de semana. Sempre Laura Pausini.



Escrito por Adriano Soares às 21h10
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Deslegitimação das instituições

O grampo dos telefonemas do presidente do STF põe a fratura exposta do Estado paralelo em evidência. Há agentes públicos que, com boa ou má vontade, com bons ou maus propósitos, estão ultrapassando a linha da legalidade em defesa da legalidade. É como o zagueiro que, buscando defender o seu time, desse um chutão na bola e fizesse um gol contra. Só que no caso do grampo ilegal o chutão é doloso, o zagueiro-araponga sabe que vai fazer o gol, joga para isso, ainda que imaginando que no final o time vencerá. A que custo?

Não se constrói a democracia e o Estado de Direito sem respeito às instituições. Esse é o ponto fundamental: Gilmar Mendes, bom ou ruim, certo ou errado, é o presidente do Supremo Tribunal Federal. Invadir a sua intimidade é avacalhar a República, é atacar a instituição. Fico impressionado, portanto, quando alguém, formador de opinião ou não, não se escandaliza com essa absurdidade. Impressiona-me a perda de referência de muitos e a falta de zelo pela nossa liberdade, pelo respeito às instituições, pelo repúdio ao totalismo do Estado Leviatã. Essa perda de referência, parece-me, é o mais claro sintoma de uma grave doenção da nossa sociedade: a deslegitimação das instituições públicas como um todo. E quando isso acontece, estamos todos em perigo...



Escrito por Adriano Soares às 19h26
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Veja: conversa grampeada de Gilmar Mendes

Há três edições, a revista Veja trazia uma procupante matéria sobre grampos realizados contra o presidente do Supremo Tribunal Federal. Era o apogeu da Operação Santiagraha. Ouve negativas veementes, sobretudo de um homem admirável que é Paulo Lacerda, hoje à frente da Abin e ex-Diretor Geral da Polícia Federal. A revista Veja apresenta mais um desdobramento dessa suspeita na edição deste final de semana (as duas matérias podem ser lidas aqui), transcrevendo um diálogo telefônico entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e um senador da República, Demóstenes Torres. Confirma-se a existência de escuta ilegal de um chefe de Poder. Confirma-se a bisbilhotagem gravíssima e antidemocrática. É necessário que se dê uma resposta a essa prática criminosa, feita por agentes públicos.

A grampolândia chamada Brasil precisa se reinventar. Não pode ser havido como normal uma invasão de privacidade dessa envergadura. Vamos ver os desdobramentos dessa reportagem da revista Veja. Aliás, ele já está ganhando corpo. Basta ver o blog do Josias (aqui) e a interpretação amalucada de Nassif, em sua briguinha com a Veja, aqui. Se Nassif não tiver cuidado, perderá credibilidade com essa linha de atacar a revista até quando ela acerta.

No G1, da Globo, os desdobramentos começaram com força:

Abin diz que investigará suposto grampo em telefones do presidente do STF

Segundo revista 'Veja', Gilmar Mendes teve conversas monitoradas.
Direção da agência informou que determinará uma sindicância interna.

Do G1, com informações da Agência Estado

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) anunciou neste sábado (30), por intermédio de nota oficial, que abrirá uma sindicância interna para apurar "o possível envolvimento de servidores da Agência nos fatos noticiados" pela edição deste final de semana da revista "Veja". A Polícia Federal informou que também vai analisar o caso.

Reportagem da revista aponta a existência de escutas ilegais feitas por integrantes da agência nos telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

A publicação transcreve uma conversa de cerca de dois minutos entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que teria ocorrido às 18h32 do dia 15 de julho. No telefonema, de acordo com a revista, Torres pede a Mendes ajuda contra a decisão de um juiz de Roraima que teria impedido uma importante testemunha de depor na CPI da Pedofilia, da qual é relator.

No diálogo, Mendes agradece ao senador, por ter subido à tribuna do Senado para criticar pedido de impeachment do presidente do STF, feito por um grupo de promotores descontentes com habeas corpus concedido ao banqueiro Daniel Dantas. Na época, a PF acabara de concluir a Operação Satiagraha, que prendera Dantas, acusando-o de uma série de crimes, entre os quais lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa.

A Abin informou que pedirá ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Felix, que acione a Procuradoria-Geral da República e o Ministério da Justiça, "com vistas à adoção das medidas investigatórias cabíveis para o esclarecimento dos fatos em toda sua extensão".

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa informou, também por intermédio de sua assessoria, que a PF fará "uma análise mais profunda e concreta dos fatos" apontados por "Veja" e, após essa avaliação, decidirá sobre a abertura de inquérito formal com o objetivo de investigar a eventual realização de grampos ilegais por agentes da Abin.

A agência não tem permissão legal para fazer escutas. "Se houve um monitoramento contra um poder da União, é competência e obrigação da PF investigar", informou o diretor. É provável que uma das primeiras providências da PF seja pedir à revista cópia da gravação revelada na reportagem.

De acordo com informações transmitidas, segundo a revista "Veja", por um agente da Abin também teriam sido grampeados o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Tião Viana (PT-AC).

Outras supostas vítimas dos grampos são os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, além de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há detalhes das conversas deles capturadas pelo serviço de espionagem.

Em notas oficiais divulgadas nos últimos 30 dias, a Abin negou ter monitorado os passos do ministro Gilmar Mendes ou realizado escutas ilegais. Confira a íntegra da nota da Abin divulgada neste sábado:

"AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA

30/08/2008

NOTA À IMPRENSA

Em face de matéria veiculada pela Revista Veja, Edição nº 2076, a Direção Geral da Agência Brasileira de Inteligência informa que tomará as seguintes providências:

1. determinar à Corregedoria-Geral do órgão a abertura de sindicância destinada a apurar o possível envolvimento de servidores da Agência nos fatos noticiados;

2. enviar ofício ao Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República solicitando o acionamento da Procuradoria-Geral da República e do Ministério da Justiça, com vistas à adoção das medidas investigatórias cabíveis para o esclarecimento dos fatos em toda sua extensão.

A Direção-Geral da Abin reitera a confiança no corpo funcional da instituição e espera que os fatos apresentados na reportagem sejam definitivamente esclarecidos."



Escrito por Adriano Soares às 14h36
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Dia cinza

Olho pela janela o dia cinza. As nuvens escuras escondem o azul do céu, a luz viva do sol. Os prédios, da janela da minha morada, parecem enfeiados. O vento murmura, reclamando ser notado. Há frio lá fora. Aqui, cansaço. Olho para o homem no reflexo do espelho. Envelheceu. Os olhos estão sem brilho. Sua fisionomia assemelha-se a tez do dia: nublado.

Somos como a natureza. Às vezes nos encobrimos de cinza. Olho para o lado e vejo os meus livros. Vontade de abrir não tenho; necessidade, há-a. Meus livros são sempre os meus companheiros de viagem para o mundo distante das idéias. Divirto-me com eles, mesmo quando há aridez de assunto. Mas o melhor do pensamento é arido, difícil, porque exige um exercício constante de raciocínio, de exercício do espírito. Mas quando ele está fatigado, os livros não atraem.

Vejo a minha menina que chegou da rua com a mãe. Linda, tomando sorvete: "- Toma, papai!". Fala apontando a casquinha para mim. Abraço-a. A mãe fotografa, sorrindo. Queixa-se das minhas poucas fotos. De fato, sou ausente de muitas fotos de bons momentos. Olho ao meu redor e vejo um espaço de aconchego. Uma ilha em um dia cinza.

Amanhã será outro dia, penso eu. Amanhã, quem sabe, voltam as minhas energias, consumidas pelos desgastes das lutas e das perdas emocionais. Amanhã pode ser que o sol reapareça. Amanhã a vida pode ser mais compreendida por mim, em suas incongruências. Amanhã...

Deixo aqui uma música de Laura Pausini para esse dia cinza:


O dia cinza também nos faz pensar que amanhã haverá de aparecer a luz. Não podemos nos perder em nossas dores, em nosso eventual cansaço. Por isso, quando o dia está cinza, penso sempre que haverá o dia de amanhã. Pensando assim lembrei-me de Guilherme Arantes e deixo aqui postado o sonho do amanhã, a esperança que sempre poderá brotar da tristeza ou da dúvida:



Categoria: Pessoal
Escrito por Adriano Soares às 12h04
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Massa: os italianos já lhe outorgam favoritismo

Os italianos, torcedores da Ferrari mais do que dos pilotos, nunca se encantaram com Felipe Massa, que sempre foi objeto da desconfiança da imprensa. Visto como inconstante e sem capacidade de suportar pressões, Massa era preterido na comparação com Kimmi Raikkonen, mesmo quando o filandês não fazia as suas melhores corridas. O início do campeonato de Fórmula 1 de 2008 dava razão aos torcedores italianos. Erros tolos levaram a imprensa italiana cogitar da sua saída da equipe no final da temporada, cogitando inclusive nomes, como o de Alonso e o do alemão Vettel.

Massa suportou a pressão e começou a reagir no campeonato. Não fossem os erros da equipe, que lhe tiraram pontos preciosos, e a quebra do motor no GP da Hungria, seria ele hoje o líder, após a incontestável vitória no GP da Europa de Fórmula 1. Aliás, bastava a vitória da Hungria e ele estaria 4 pontos à frente de Lews Hamilton. Essa performance de Massa mudou a forma como era visto: constante, disciplinado, rápido, firme para suportar pressões, é hoje candidatíssimo ao título de campeão do mundo.

Isso já faz com que a sondagem de opinião pública feita pela Gazzetta dello Sport mostre que os internautas começam a vê-lo como favorito ao título e sugerem que a Ferrari lhe dê preferência no restante da temporada, como mostra o gráfico abaixo. Isso tudo é muito bom para estimular a autoconfiança do brasileiro, na arrancada final rumo - quem sabe - ao título.

Os espanhóis também mudaram a percepção sobre a consistência de Massa e já passam a vê-lo como favorito ao título, como se vê da enquete do Marca:



Escrito por Adriano Soares às 18h39
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Olimpíadas e coisas irritantes

Uma das coisas mais irritantes nessa olimpíada é o derrotismo brasileiro. É a cultura da mediocridade. Eu não suporto mais ver os nossos atletas chorando porque não conseguiram um resultado melhor. Pior: há ainda os que culpam a falta de estrutura e de patrocinadores. Já disse aqui que a Jamaica chegou ao topo do atletismo nessa olimpíada sem estrutura, mas com muita dedicação dos seus atletas. Phelps é Phelps porque dedicou-se obstinadamente para ser o número 1.

Agora, a mais irritante coisa desta olimpíada, disparada, é a postura de Galvão Bueno na transmissão das competições: quando ele acha que vai dar certo, que o time ou o esportista vai vencer, elogios; quando a coisa desanda, críticas as mais absurdas. Elegi o Galvão Bueno a coisa mais bizarra das Olimpíadas. E você?



Escrito por Adriano Soares às 23h49
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Entrevista de direito eleitoral. Primeira parte.

Concedi uma entrevista ao jornalista Flávio Gomes de Barros, da TV Assembléia de Alagoas. Falo sobre eleições e contra o senso comum do que denomino moralismo eleitoral. A segunda parte da entrevista será postada apenas no blog de eleitoral e na comunidade dos eleitoralistas. Aqui, apenas a primeira parte, como degustação. Aos interessados na entrevista integral, os links estão do lado direito do leitor desta página.



Categoria: podcast
Escrito por Adriano Soares às 23h20
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Balanço da humilhação

A imprensa internacional fala em humilhação da seleção brasileira. É verdade. Fomos humilhados, porque somos os melhores do mundo e não se admite perde para ninguém de forma covarde, nem mesmo para os nossos maiores rivais em talento e futebol. Não desprezo a seleção argentina quando afirmei no post anterior que nós perdemos para nós mesmos. Sei o valor de Messi et caterva, mas não se trata de uma seleção excepcional. Provo. A Argentina jogou com a medula da sua seleção principal; a nossa, com jogadores que ainda estavam sendo testados aqui e ali, normalmente como reserva. Mascherado, para dar consistência à proteção da defesa; Riquelme, para qualificar o passe e a distribuição do jogo; Messi, para correr, driblar e assistir os seus companheiros, quando ele próprio não resolve marcar os seus gols. Gago e Agüero complentam o time. Fora dessa Argentina de hoje, dita Olímpica, o que resta para a principal? Nada! Um único jogador de destaque. O Brasil, por sua vez, jogou sem Kaká e Robinho. Não tinha Adriano nem Luís Fabiano. E Ronaldinho ainda está a meia boca. Precisa emagrecer mais e voltar a correr.

Muito bem. Ainda assim, o Brasil mostrou volantes qualificados nas Olimpíadas: Lucas e Anderson são excelentes e têm futuro na principal. Diego é muito bom, ainda que prenda a bola excessivamente, carregando-a em demasia. Mas merece estar no grupo. Pato é excepcional: mostrou isso no início da sua vida milanesa, mas terá que jogar mais, estar mais comprometido para merecer um lugar no time. Sorbis é um bom jogador, mas está aquém da seleção. Jô pode ser um nome futuro. Marcelo e Rafinha, na lateral, são realidades e terão tempo de amadurecer até a Copa de 2010. Renan vai ser goleiro do Valência, na Espanha, e mostrou que será um substituto à altura de Júlio César, quando a história dele se encerrar na seleção.

Ou seja: a seleção brasileira era muito boa. Dunga, como técnico, é que se mostrou limitado, retranqueiro, medroso. Com as peças que tinha poderia ter dado um outro rumo à partida. Perdeu para os seus medos e, cá para nós, foi muito bom se disso a CBF tirar lições. A campanha de Luxemburgo, perdido em sua crise pessoal na época em que foi técnico da seleção, abriu caminho para a crise de Leão, na Copa das Confederações, e permitiu a ressurreição com Felipão. Fomos campeões do mundo! A crise agora pode encerrar o ciclo de Dunga e abrir, quem sabe, as portas para Luxemburgo voltar à seleção, agora mais maduro, para nos levar ao título de 2010. É uma aposta. Você aposta?



Escrito por Adriano Soares às 21h01
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Phelps e nós

Estava ontem em Natal (RN), ministrando uma aula para os juízes eleitorais. No caminho para o aeroporto, conversávamos o condutor do veículo e eu sobre as olimpíadas. Ele dizia que faltara a Diego Hipólyto humildade ao dizer que ia buscar ganhar a medalha de ouro. Cair teria sido uma lição de humildade. Os brasileiros somos assim: não gostamos de quem mentaliza o sucesso. Depois, cobra-se uma conta imensa pelo insucesso ou apenas afirma-se um convencido "eu já sabia" diante do sucesso alheio. Nossa cultura é, ainda, de complexo de vira-latas, como bem definiu Nélson Rodrigues, ao fazer conhecida crônica sobre a Copa de 1958, onde nos sagramos campeões do mundo pela primeira vez.

Nossos atletas já vão às Olimpíadas com sentimento de inferioridade. Entram em quadra ou campo derrotados, porque os outros são melhores do que a gente. Nunca fazemos o suficiente. Desculpa-se a nossa incompetência com a falta de estrutura, mas vemos atletas da Jamaica ganharem três medalhas em uma única prova de atletismo, vemos quenianos ganharem ouro, vemos atletas de países menos estruturados que o nosso vencerem. Por quê? Porque será que entramos no vôlei de praia contra uma dupla americana endeuzando-as, quando somos medalha de ouro e prata em olimpíadas passadas, quando estamos à frente do ranking no circuito internacional? E perdemos antes mesmo de entrar em quadra, porque nos inferiorizamos, nossa atitude é de passividade e de medo.

A seleção feminina de futebol entrou em campo assim contra as meninas da Alemanha. Tomou um gol porque já entrou com medo. Mas encontraram-se com o seu futebol, o melhor do mundo hoje. E houve tempo de reverterem o resultado quando acreditaram que podiam. E massacraram com quatro gols acachapantes. Uma ilha de autoestima em um mar de complexos dos nossos atletas.

Porque é orgulho ou vaidade ser um vencedor? Que cultura é essa? Não dá para nascer entre nós um Phelps, porque seria massacrado ao dizer que a sua pretensão seria ganhar oito (!) medalhas de ouro. Soberba, gritariam os perdedores de sempre, que escondem os seus complexos avacalhando a luta e a vontade de vencer alheias. E por isso somos o que somos: um país de pouquíssimos heróis, de sobreviventes da língua alheia, que não se intimidam com os complexados que fingem torcer a favor quando reazam para tudo dar errado.

Chega de condescendência com os nossos atletas de segunda linha. Chega de elogio à incompetência. Chega de medo dos vencedores nossos e alheios. Nosso modelo de perseverança e persistência é Phelps, é o vôlei de Bernardinho, é os que lutam para estar no topo, sem se acomodar, sem ficar perdendo tempo falando da vida alheia porque a sua é medíocre demais para merecer interesse próprio, inclusive.


Ah, está na hora da CBF pedir ao Dunga para crescer e deixar de ananicar o futebol brasileiro. O Brasil encolheu-se contra uma Argentina rápida, com os seus baixinhos, mas inferior ao time brasileiro. Perdemos para nós mesmos, porque a Argentina veio com mais vontade, enquanto nós, com precaução.  Está na hora de mudar, pelamordeDeus...



Escrito por Adriano Soares às 10h03
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O Supremo Tribunal Federal somos nós

Sou um defensor do trabalho do Supremo Tribunal Federal. Objetivamente, penso que a decisão sobre a impossibilidade de criação judicial de inelegibilidade por vida pregressa foi não apenas correta, como corajosa. O mesmo penso sobre a decisão do uso limitado de algemas. Os que defendem as algemas como mecanismo normal usam muito de hipocrisia, porque sabe-se que há inevitável degradação moral do preso não condenado, apenas provisoriamente preso. Não são necessárias - a não ser quando necessárias, com o perdão da afirmação acaciana, mas óbvia por demais.

A degradação das instituições não pode atingir o STF, a conduto de excessos verbais dos próprios ministros. Circula na internet vídeos fortes, abaixo reproduzidos, que depõem contra a liturgia das altas atribuições conferidas aos membros da Corte Constitucional. É importante o resguardo e o pejo, para que não se perca a legitimidade de um órgão que não retira o seu poder do voto, mas das fundamentações de suas decisões, que deverão advir sempre do equilíbrio e espírito público. Vejam abaixo essas pérolas, que devem ser afastadas do convício urbano e maduro de quem decide sobre as mais importantes questões jurídicas da Nação.

Ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes discutem sobre a moral de ambos para questionarem-se.


Ministros Marco Aurélio e Cezar Peluso desentendem-se de modo acerbo.




Escrito por Adriano Soares às 19h21
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