Concedi uma entrevista ao jornalista Flávio Gomes de Barros, da TV Assembléia de Alagoas. Falo sobre eleições e contra o senso comum do que denomino moralismo eleitoral. A segunda parte da entrevista será postada apenas no blog de eleitoral e na comunidade dos eleitoralistas. Aqui, apenas a primeira parte, como degustação. Aos interessados na entrevista integral, os links estão do lado direito do leitor desta página.
Publico aqui o segundo videocast da Comunidade de Eleitoralistas sobre inelegibilidade e vida pregressa, agora falando sobre o seu enquadramento como condição de elegibilidade, que se mostra impossível, ou como inelegibilidade, a depender de edição de lei complementar:
Dias das mães. Dia de meditar sobre o amor qualificado, único, intenso, inegociável: o amor de mãe. Segue o podcast especial para este domingo de maio.
Não há amor mais profundo do que o amor de mãe. Sim, o amor admite qualificações, intensidade, profundidade e extensão. Não é um verbo intransitivo: pede complemento sempre, pois o amor não se volta para si mesmo, requerendo o outro. A "outridade", o tender ao outro, é o que qualifica a própria existência do amor. Sem que haja polaridade, intersubjetividade, não há como se amar, pela ausência do objeto amado, daquilo que nos excede, que está para além de nós mesmos e de nosso controle.
Há o amor próprio, é certo. Porém, o amor de si mesmo é amor perante o outro, que impede a maceração do eu, até a própria redução ao nada ou destruição. A carência de amor próprio é perda de referência de nós no mundo na relação com o outro, na polaridade essencial do eu-tu, que nos retira do narcisismo da reflexividade. O amor de si mesmo exacerbado é o que nos leva ao orgulho, à vaidade e a perda da dimensão do outro, do diálogo que somos nós.
Dizia que o amor admite qualificações. Sim, pode ser frágil, ingênuo e imaturo, como aquele amor na adolescência, que nos arrebata e nos faz sonhar, mas que não ultrapassa a primeira trovoada ou a primeira possibilidade de substituição por outro, tão fugaz quanto o primeiro. Pode ser profundo e intenso, todavia, como aquele que descobrimos com a maturidade, que supera as dificuldades, os conflitos e até as feridas mais dolorosas. Amor construído na rocha, para ser sólido, mas no alto de uma colina, para não perder o gosto dos vôos sem fim, que nos eleva a alma, o corpo e o coração.
Mas há amor possível que seja mais profundo do que o de mãe? Penso que não. Porque o amor de mãe é o primeiro amor, acalentado quando sente as mudanças do seu corpo à espera daquele que há de vir. Amor que se manifesta no simples apalpar do ventre, como a acariciar instintivamente aquele prenúncio de vida que surge em suas entranhas. Todo o seu corpo se prepara para o acolhimento, a alimentação, a defesa intransigente daquele ser indefeso, que olha e sente o mundo através dos sentimentos e olhos maternos. Uma relação profunda, única e inexplicável. Basta olhar para uma mulher grávida: seus olhos mudam, sua face resplandece, sua percepção do mundo se modifica: é como se a natureza começasse a prepará-la para a arte e a aventura de amar sem medida, de se doar sem limites.
Quem não se lembra do filme "Paixão de Cristo", de Mel Gibson, quando Maria corre para o seu filho, humilhado e ferido violentamente pela guarda romana, carregando o lenho pesado da cruz, em esforço superior aos restos de suas forças. Quem não se lembra da sobreposição de imagens, feita de forma poética e ao mesmo tempo crua (quem disse que a poesia às vezes não reivindica crueza?!), mostrando ela correndo em direção de Jesus criança caindo inocentemente, como todas as crianças, e ele adulto, massacrado como o servo sofredor profetizado por Isaías? Ali, Maria dizia "sim", mais uma vez, como dissera desde o início a Deus. Um "sim" que não se acaba, que tudo suporta, que tudo supera. Quando Maria assiste a dor de seu filho na cruz, faz o exercício mais intenso de sua maternidade: amar até o fim, até a dor mais radical e sufocante. Na sua coragem, Maria nos revela todo o carisma da maternidade.
O amor de mãe é também o amor responsável que sabe dizer "não", educando o seu filho sobre os seus limites, sobre o respeito aos outros, sobre as fronteiras do certo e do errado. Sim, porque amar é também educar, preparar aquela nova vida indefesa para o jogo da vida, para a riqueza do dom recebido e para a gratuidade do amor de Deus. Por ter aprendido tanto com a minha mãe, com o seu "sim"e com o seu "não", aprendi o que é o amor de mãe. Por ver em cada gesto da minha esposa, acalentando a nossa filha, percebo, de um modo sumamente bonito, a intensidade desse amor sem limites. A elas dedico esse podcast.
Éramos de Junqueiro, pequena cidade de Alagoas. Tinha 9 anos de idade quando viemos morar em Maceió. Sai do meu mundo, minha aldeia, para a cidade grande, onde tudo era complexo e gigante para os meus olhos infantis. Angústia e medo.